terça-feira, 2 de outubro de 2012

A Última Batalha


A Ultima Batalha

     Os Antigos contam que após a partida de Dorhomielzadak, uma grande tropa de Kandors aportou nas praias que fazem divisa de Dorhom com Thur-Hurker e subiram o rio Furis em direção as montanhas Turom. O destino final das tropas era o deserto de Kuran. Logo os céus se encheram de dragões cromados comandados pelos Kandors que voavam em direção à montanha do deserto, e morada de Kuran, Mon Anon. Estava declarada a guerra dos Kandors contra Kuran. De alguma maneira os Kandors passaram a acreditar que Kuran era uma grande ameaça e por isso investiram contra ele como jamais haviam investido contra outro reino. 
Kuran, como dizem, sempre foi um misterioso e poderoso feiticeiro. Dizem que ele possuía contato com as criaturas abissais conhecidas como filhos de Bël que viviam nas entranhas de Eralfa. Ele convocou os cavaleiros de Decanyon-Ohdum famosos por se comunicarem com dragões e conseguirem favores destas criaturas bestiais. Muitos dragões pereceram na batalha contra os dragões cromados dos Kandors. Algumas raças draconianas foram extintas e muito do ódio dos dragões por humanos surgiu naquela época devido aos dragões culparem os homens pelo envolvimento deles contra os Kandors.

     Os Kandors avançavam por terra e céu destruído tudo no caminho com seus monstros de metal jamais vistos antes. Naquela época havia muitas cidades dos homens do deserto que eram reinados por Kuran.Daquelas cidades somente sobrou às ruínas que existem até os dias de hoje.
     Os Kandors montaram acampamento nas bases das montanhas de Tol Abolsk e de lá comandavam o cerco a Mon Anon. Todo o continente estava amedrontado devido à matança provocada pelos Kandors que era assustadora. Muitos desacreditaram em Iévine, a deusa defensora da vida, naqueles tempos. Enquanto alguns reinos e povos se mantinham afastados dos conflitos, outros, mesmo sendo outrora inimigos de Kuran, aliavam se ao feiticeiro contra os Kandors pois entendiam que se Kuran caísse, eles seriam provavelmente os próximos a serem atacados.
     O destino da batalha parecia estar decretado. A derrota era eminente. Os dragões cromados dos Kandors eram quase invencíveis pois não se cansava jamais. Ao contrário dos dragões comuns, quando os dragões dos Kandors eram abatidos eles não sangravam mas sim expeliam labaredas de fogo de suas entranhas. O deserto de Kuran estava coberto de sangue e fogo. Todos acreditavam que Kuran estava prestes a se render.
     Quando Kuran saiu ao encontro de seus inimigos, ele vestia uma armadura negra e carregava uma espada com inscrições estranhas gravadas na lâmina. Os generais Kandors o olharam com desprezo e deboche.
     Súbito, do sudoeste além-mar, viu se um grande clarão seguido de um grande estrondo. Muitos acreditaram que os deuses desceram à Eralfa. Logo, uma imensa coluna de fumaça negra subiu aos céus. Os Kandors caíram em desespero. Era como se todos tivessem perdido algo muito precioso. Começaram a correrem em direção ao estrondo abandonando seus postos e estratégias de guerra. Logo em seguida os dragões cromados começaram a caírem dos céus como que abatidos por uma força invisível.
     Vendo que os Kandors corriam desesperados, os exércitos atacaram sem piedade matando quase que todos os Kandors que mesmo diante da morte lamentavam não por suas vidas mas sim por algo de maior importância para eles. Em seus olhares havia a dor dos degredados.
     Kuran se encontrava no alto de um elevado. Ao seu lado estava seu servo e general Monl-noawbye e ao fundo uma figura feminina os acompanhava como que se fosse um espectro, vestida de negro e com um véu sobre o rosto.
     _Ele conseguiu..._ Sussurrou Kuran. Quawldren cumpriu seu destino.
     _O que faremos agora mestre? _Questionou o fiel servo ao seu mestre.
     _ Você ficará aqui e reerguerá meu reino. Eu tenho que cumprir uma promessa e quando eu regressar, unificaremos todas as nações em um só reino sob meu comando.
     Dito isto, Kuran foi em direção a cinco homens semelhantes aos elfos porem de peles bronzeadas e cabelos negros. O dorso nu mostrava figuras tatuadas na pele. Eram cinco Rocnares. Misteriosos seres que habitam os desertos e possuem a capacidade de teletransportarem se entre outras proezas.
     Quando Kuran e os cinco desapareceram em uma ventania que ergueu uma lufada de areia, o vulto feminino que estava atrás de Monl-noawbye pareceu querer dizer algo mas logo abaixou a cabeça e retornou em direção a Mon Anon.
     Os anos passaram. Os dragões cromados caídos foram cobertos pelas areias do deserto deixando para trás apenas suas histórias que logo se tornaram lendas.Os Kandors jamais retornaram com um exercito seja lá de onde quer que estejam.Os poucos que ainda caminham pelo continente são temidos e perigosos pois agem escondidos capturando e torturando pessoas desavisadas que porventura caiam em suas garras. O que realmente aconteceu naquele sinistro dia ninguém jamais saberá. Supõe se que Dorhomielzadak tenha chegado à morada dos Kandors e que o artefato dado por Monl-noawbye ao anão Quawldren tenha sido utilizado como Kuran previamente planejara.
     Desde então Kuran chamais foi visto novamente. Dizem que o deserto de Kuran é governado atualmente por Monl-noawbye, servo de Kuran que aparentemente descobriu um meio de viver até os dias de hoje.



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